Debate em Destaque

Em 16/03/2016
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As manifestações do último domingo contra a presidente Dilma Rousseff e a nomeação do ex-presidente Lula para ministro da Casa Civil concentraram as discussões no Plenário da Assembleia, nesta quarta. Enquanto deputados de partidos de oposição ao Governo Federal fizeram diversas críticas, representantes do PT defenderam as ações governistas.

O líder do Partido dos Trabalhadores na Casa, deputado Odacy Amorim, comemorou a indicação de Lula para integrar a equipe do Governo Federal. Ele acredita que isso pode ajudar o País a retomar a agenda de crescimento.

No sentido contrário, Clodoaldo Magalhães, do PSB, afirmou que a nomeação é a oportunidade para que o ex-presidente tenha foro privilegiado e se livre da Operação Lava Jato e do julgamento do juiz federal Sérgio Moro. O deputado ressaltou que a insatisfação popular, demonstrada nas manifestações do último domingo, tende a crescer. “Eu acho que é um escárnio. E, no meu vocabulário, se há algo mais parecido com escárnio do que a nomeação do ex-presidente Lula para ministro da Casa Civil, eu não conheço nada que se aproxime mais com isso. E, num momento desse, em que o povo brasileiro deu a demonstração que deu no dia 13, no dia seguinte o escárnio da nomeação do presidente investigado é uma coisa que realmente atenta contra toda a classe política, contra a vontade do povo brasileiro de ver luz.”

Já a deputada Teresa Leitão, do PT, defendeu que a nomeação de Lula é parte de uma estratégia maior do Governo Federal para contornar a crise econômica e atender as demandas da sociedade. Ela afirmou, ainda, que a condição de ministro não interrompe as investigações, nem livra o ex-presidente de ações judiciais. “Quando a gente anuncia um movimento político complexo, lançando mão da maior liderança política e popular que este país já produziu nos últimos anos, para servir ao Governo, para servir ao Brasil, é escárnio? Primeiro, não foi acolhida, ainda, a denúncia sobre Lula. E, uma vez sendo, o que muda apenas é o foro, que se diz que é privilegiado porque é mais alta instância. Mas, em compensação, é a última.”

Em aparte, Antônio Moraes, do PSDB, considerou lamentável que um ex-presidente assuma um Ministério pela primeira vez no Brasil para conseguir foro privilegiado. Aluísio Lessa, do PSB, também fez críticas ao Governo Federal. Simone Santana, também do PSB, defendeu mudanças nas regras de financiamento de campanhas, que estão no centro dos escândalos de corrupção. Edilson Silva, do PSOL, defendeu que a classe trabalhadora não pode ser prejudicada por causa da crise política e econômica.